Estranhíssimo

typing-i used to have an old electric type-writer (not sure where it is now!) that I would write our family newspaper on.

Um amigo meu vai lançar um livro em Agosto. Publicar um livro sempre foi um sonho para mim. Lembro de ter, sei lá, uns oito anos e que o filho de um colega de trabalho da minha mãe lançou um livro mais ou menos na mesma época. Eram dois livros infantis, com ilustrações feitas por ele mesmo. Eu achei incrível. Por mais que não tenha sido uma puta publicação e que ele não tenho tido reconhecimento, caramba, ele lançou dois livrinhos. Quem sabe o que ele não deve escrever hoje?

Pois é, depois de ter a notícia que esse amigo vai lançar um livro, fui perguntá-lo como foi o processo: escolher a editora, as correções, a capa (que ficou linda), etc. Ele disse que levou alguns “nãos” na cara, mas não desistiu e mandou para outra editora, que acabou aceitando o trabalho dele. Sabe, foi assim com J.K Rowling também. Muitas e muitas editoras rejeitaram o trabalho dela, dizendo que não faria sucesso algum. Ledo engano. O meu problema é não ter uma história (ainda), e também o fato de que não escrevo lá muito bem. Tenho uma escrita mediana, acho que compatível com a minha idade ou eu pelo menos espero isso. Fiquei pensando e pesquisei o óbvio no google: “como escrever um livro?”, e acabei achando alguns artigos bem interessantes, como esse, que te incentiva a se manter criativo, todos os dias. Comecei no mesmo instante e escrevi sobre um acontecimento real. Os outros textos que se seguiram, em sua maioria, também tratavam de acontecimentos reais (pelo menos em parte). Gostei da comicidade que a maioria apresentava. Engraçado que em algum desses artigos que vi por aí dizia para você aceitar: se você é escritor, você é estranho. Engraçado é que antes eu só escrevia ficção e fantasia; hoje em dia coloco algumas coisas reais nos textos, sabe? Pensamentos (muitas vezes os mais bestas).

Vou postar aqui os que eu mais gostei que escrevi na última semana.

Pensando alto

Estavam no carro, pai e filha, diante de um tráfico que só permitia a movimentação do carro alguns metros, às vezes. A filha ficava mais ou menos no meio, entre o banco de trás e o vão entre os dois bancos da frente, com o pai do lado esquerdo. 

                O moço, com seus vinte e nove ou trinta anos, no banco esquerdo da frente acabou murmurando um de seus problemas cotidianos. Talvez fosse o próprio engarrafamento, talvez fossem os problemas no trabalho, mas tanto fazia, por que a filha não escutara muito bem.
                – O que foi, pai?
                -Nada, minha filha. Só pensando alto.
A menina tinha as bochechas enormes e rosadas. Sentou atrás e ficou parada, em silêncio. Pensou em muitas e muitas coisas, como se estivesse gritando dentro da própria cabeça, até que finalmente pergunta:
                – Escutou, pai?

Cabelo, cabelo meu

Eram uns fiozinhos desajustados que não se ajeitavam em lugar algum. Já haviam sido lisos; uma parte, roxa… Já haviam sido longos e curtos. Eram, agora, meio alaranjados, e se sentiam bem assim. Às vezes acordavam de mau humor e não davam trégua com a dona, até que ela, no dia seguinte, acabava indo ao salão e dando um calmante para eles. Calmante de cabelo é diferente de calmante de gente. Calmante de cabelo se chama formol. E eles ficavam calminhos… Mas só durante um mês. Depois disso a personalidade forte do cabelo voltava. Os anéis ruivos voltavam à vida e dela não abriam mão. De uns tempos para cá, a dona dos cabelos se acostumou, e eles têm estado mais próximos, mais amigos.; aprenderam a conversar.
                Tanto que a dona agora nem dá mais calmante para eles.

No meu tempo…

– Mãe, não aguento mais estudar! – disse Joana, deitando a cabeça no livro de Gramática. A menina era inteligente, mas era desleixada. Não era uma das melhores alunas, mas também não era das piores, mas não suportava uma nota baixa! E a mãe responde:
                – Minha filha, não reclame, que na sua idade eu e seus tios íamos para a escola de barco e ainda andávamos mais uma hora na mata fechada, com mosquitos mutantes preparados para o ataque a qualquer hora. Naquela época não existia caderno, não! A gente escrevia em folha de bananeira com um palito chorando gordura de porco, e isso quando tinha. Quando não tinha a gente furava o braço dos coleguinhas e escrevia com sangue. Quando sobrava ainda guardávamos para os dias posteriores, e ai de quem não quisesse ter o braço furado!

E o de hoje:

Água maravilhosa

 Uma sede absurda ecoava dentro da garganta de Cláudio, que não via a hora de chegar em casa e poder beber um bom copo de água. Chegando lá, mal deixou a pasta no sofá e já se dirigia à cozinha da casa, com as mãos ansiosas, a procura de algo que cessasse sua sede. Colocou os olhos em cima de uma garrafa que estava na cozinha, tirou uns comprimidos do bolso, arranjou um copo, encheu-o, e tomou a danada da água. Sentiu um gosto estranho. Talvez o copo estivesse sujo de detergente. Foi perguntar à mulher o que diabo havia acontecido e por que os copos ali não eram bem lavados, quando ela diz:
                – Cláudio, deixe de ser doido, que isso daí é água sanitária!

 

Tenho melhorado com os títulos, hehe.

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No céu da madrugada

Eram três homens procurando por uma espécie rara de ave, ali, na mata fechada. Não sabiam dizer exatamente com o que a ave se parecia, mas haviam ouvido de lendas. O som de água caindo preenchia os ouvidos de cada um deles, mas ainda não conseguiam identificar de onde vinha. Estavam cansados, com sede e fome, e precisavam descansar. A floresta parecia vigiá-los, arisca e irascível. A luz do sol banhava as folhas das árvores com um laranja que se confundia com o verde, criando um espetáculo de luzes no meio do nada. Era quase secreto, e talvez realmente o fosse. Talvez os forasteiros não devessem estar ali, ou pelo menos era o que sentiam.
Procuraram um lugar seguro para passar a noite, embora lugar algum parecesse assim naquele momento. À medida que andavam, o som de água caindo aumentava, e parecia cada vez mais perto, até que acharam, finalmente, a fonte de água. Era um rio que começava com uma cascata, e ia descendo, fazendo curvas até desaparecer de vista. Aquele era um bom lugar, e a floresta parecia mais amigável. Armaram as barracas e acenderam uma fogueira para se protegerem da noite fria. O som do rio e da água batendo na margem logo os fez dormir profundamente, fazendo-os sonhar. E foi esse o sonho que eles sonharam:

Estavam no fundo da floresta, à noite, ouvindo um barulho de água. Precisavam descansar, era o que a mente lhes dizia, mas o corpo parecia estar com todo o vigor. Continuaram suas andanças, até que viram um rastro de fumaça no ar, espiralada, sendo arrastada pelo vento. Talvez fossem outros forasteiros, e com a fogueira apagada, com certeza estavam dormindo. Sentiam-se fortes, e acreditavam que perigo algum seria capaz de detê-los.
Seguiram o rastro de fumaça, e encontraram um rio ou algo parecido. Na verdade, era um rio, mesmo, mas a água passava das margens. Não era como se o rio tivesse transbordado, mas a água parecia saber o que fazia. Viram três rapazes serem arrastados para fora de suas barracas. Viram os rostos daqueles, mas esses eram seus. O corpo gelava, e sentiam algo passando perto do coração. Um aperto, mas não podiam pedir socorro, o medo (antes coragem) não permitia. Tentaram correr e salvar suas vidas, mas havia raízes segurando seus pés.
Sentiram um vento forte passando e olharam para cima, mas tudo o que viram foi um rastro azul claro rasgando o céu escuro da madrugada. Não precisavam distinguir formas, e sabiam que aquele era o pássaro procurado, de uma beleza jamais vista. Ou, pelo menos, ninguém vivera para descrevê-la em detalhes.
Ao olhar para frente, encontraram seus próprios corpos sendo levados para dentro do rio. A baba escorria pelos seus rostos tranquilos, mas conscientes do que estava acontecendo. Os homens presos agora berravam. O estado de medo fora ultrapassado e encontravam agora o desespero, mas nada podia ser feito.
No entanto, de uma coisa todos tinham certeza: aquele era um sono para nunca mais se acordar.

Wilde

wilde

Sabe aqueles caras fodas, que você fica “caramba, como esse cara é foda”? Pois é, Oscar Wilde se encaixa nisso.
Aluguei recentemente da biblioteca do meu colégio um livro com alguns contos dele. Eu tinha um volume de “O Fantasma de Canterville e outros contos”, então já havia lido alguns. Até agora, nesse volume, só tem um conto que não tinha no outro livro, mas tem um dos meus favoritos: O Jovem Rei.
Olha, dos contos que eu já li do Wilde, para mim, esse é, de longe, o melhor deles. Caramba, que conto bom, poxa.
Pensando nisso, resolvi compartilhar com vocês, hehe.

Eu tinha colocado aqui, mas o conto é muito grande, então vou só colocar o link de onde pode ser lido aqui. O pdf é bilíngue, é só abaixar um pouquinho que a versão em português vai estar lá 😉

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Poeira

Lagoon Nebula

Cês sabem que isso aqui fica abandonado de tempos em tempos, né? Por isso ‘cês deviam acompanhar lá no Facebook a página do blog, que inclusive tem uma foto brega no avatar. Mas enfim, tenho um post pra hoje, o que meio que compensa. É um conto que escrevi para um concurso do colégio. Se chama Poeira. Espero que gostem.

Era agora, finalmente, sua época do ano. Três meses sendo o ser mais importante de toda a região – e com região se referia à maioria do hemisfério norte- sem sequer ser notado. Mais importante que os governadores, com mais tarefas que os presidentes, influenciando mais a cabeça das pessoas do que o próprio Papa. Era um dos quatro que estavam sempre ali, mesmo que alternando. Era a estação esquecida.
            Era Outono.
            Verão era a estação do calor, da diversão, de longe a preferida das pessoas jovens. Primavera movimentava muito o mercado, com todas as suas belíssimas tulipas, prímulas e camélias. Inverno era considerada a estação mais triste de todas e, por isso, a mais romântica. Era a estação da perdição, das cenas infelizes que muitas vezes construíam histórias. Mas o que era Outono?
            Ele considerava a si mesmo como a estação do adeus. Era o adeus aos momentos felizes do Verão; era a passagem que antecedia a tristeza de Inverno.
            Outono tinha os cabelos vermelho-amarronzados, exatamente da mesma cor das folhas de plátano, tão famosas naquela época. Caminhava entre os mortais normalmente, sendo jamais ou poucas vezes notado quando aparecia com mais frequência durante aqueles três meses. A boca estava sempre fechada, ficando, às vezes, na iminência de movimento, mas nada mais. O fato de raramente proferir qualquer coisa o deu, com o tempo, a capacidade da mais ampla observação. Conseguia, em menos de um segundo, identificar um sorriso mordaz no canto da boca de um moço qualquer falando à parceira.
            Uma infidelidade jamais revelada.
            Isso acontecera anos atrás, Outono bem lembrava.
            Mas ainda havia o mesmo sorriso no canto da boca.
            Estudava os humanos com singular interesse. Gostava mesmo daquelas pessoas; não de quem elas eram. Dançarinos, músicos, empresários; seus interesses passavam longe disso. Gostava da essência humana, do mal e do bem, do certo e do errado. Em suma, admirava qualquer ação e reação da humanidade. Outrora já experimentara sentimentos humanos, vontades, mas não podia, sabia que um maior envolvimento acabaria na sua morte. Era proibido que as Estações possuíssem qualquer preferência por uma pessoa em especial. Dessa forma, foi criado um mecanismo que implicava na dor de qualquer um que se envolvesse dessa forma com a humanidade.
            Uma vez vira uma simples folha seca ocasionar as mais felizes vidas, resultando posteriormente em uma filha, tendo a menina guardado a folha em um caderno de lembranças até a mocidade. Já presenciara acontecimentos que a humanidade acreditava  serem impossíveis. Seres de lugares inimagináveis, tão remotos como nunca saberemos.
            Outono refletia que tudo aquilo era passado, e que logo seria esquecido, que tudo retornaria ao pó, exatamente da forma que veio. Por que tudo era nada mais que isso.
            Poeira.
            Absolutamente tudo conhecido até o momento, pensava, não passava de um grande aglomerado de átomos. O Universo feito de partículas que, se colocadas sozinhas, são invisíveis a olho nu. Partículas essas que se amontoam por conta de uma força ainda mal compreendida. Perdidos no espaço, tocando o chão, um chão feito do que a humanidade também era feita. Soltos, com a Terra girando a trinta quilômetros por segundo, e se ela, por algum motivo, deixa-os ir, estariam perdidos. Se a força que os agrupa um dia deixar de fazê-lo, então o que existirá?
            Outono pensava que todos acabariam por se sentir da mesma forma que ele se sentira durante toda a sua existência.
            Um sentimento de adeus.

Agora, ele começa de um jeito e termina de outro completamente diferente. Isso por que eu queria criar Outono e não sabia o que fazer. Então acho que ainda vou escrever várias coisas sobre ele.