É, espero que sim

If all the beasts were gone, men would die from a great loneliness of spirit, for whatever happens to the beasts also happens to the man. All things are connected. —Chief Seattle [Unknown Photographer]

Não sei exatamente como reagir. Eu mesma achei que havia reagido de forma exagerada. Isto é, meu corpo, minha cabeça. Eu não queria que as coisas fossem assim, mas acontece. Não se trata do acontecido, eu acho, mas da forma de apresentação. Imagine como um “obrigada” sendo um “valeu aí mlk”. Existe uma falta de concordância. Veja bem, quando você agradece de todo o coração por algo, você escolhe o “obrigada”. Eu acho isso por que é uma forma muito mais genuina de agradecimento. Sei que o “valeu mlk” conta, mas para mim… Para mim não é assim.
O caso é que tenho pensado bastante na vida. Eu ainda estou lendo Senhor dos Anéis. Tô no final, mas eu acho que, para mim, ja passou o momento de ler isso. Queria ler algo existencialista, sentimental. Queria ler algo que me fizesse chorar, que me fizesse lavar a alma. Mas eu preciso terminar esse livro.
Eu tenho chorado muito, também.
É estranho por que é como se eu estivesse assim o tempo todo. Triste. Eu rio no dia a dia e faço piadas, mas é como se algo estivesse fundo demais, cravado lá no meu íntimo. Como se eu tivesse o mundo nas costas, e por uma besteira.
Acho que eu nunca lidei bem com rejeição, mesmo. Não por que sempre me diziam “sim”, mas por que quando me disseram “não”, foi forte demais. Eu lembro que quando eu era mais criança e meus pais se separaram, eu não fiquei tão triste. Eu lembro que mamãe ficou em Brasília uma época. Morei lá e voltei, ela ficou ainda mais um tempo. Lembro de desenhar minha vida com a minha mãe e sem. Mas voltando, até hoje eu me sinto meio rejeitada por causa do divórcio. Papai saiu de casa. Sua esposa não era das mais legais comigo, mas não é por isso. Hoje, eu acho que ela percebeu a besteira que fez, já que eles já tem duas filhas pequenas. Eu sinto falta disso hoje. Sabe aquele momento quando você está assistindo televisão e, de repente, confessa algo? Eu sinto falta disso. Eu sinto falta de alguém pra me aconselhar, além de mãe e irmã. Eu quero alguém que me veja chorar e que me abrace, dizendo que eu mereço algo melhor. Queria alguém que ficasse orgulhoso quando eu tiro dez nas provas. Eu sinto falta de tanta, tanta coisa. De tanta gente, de tanto tempo. Eu fico pensando como seria se meus pais ainda estivessem juntos. Mamãe ia acompanhar o ínicio dos cabelos brancos do papai. Ele ia presenciar o fim da menopausa dela. Compartilharíamos tanto juntos. São coisas do dia a dia que fazem uma falta tremenda. Acho que por isso, também, eu tenho aversão a traição e a tudo relacionado a isso. Acho que por isso o meu corpo reagiu tão mal. Estou sem comer direito tem uns dois dias já, eu acho. Enjoada com cheiro, aspecto, gosto, tudo.
Eu espero que seja só medo de rejeição mesmo.
É, acho que é.

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Estranhíssimo

typing-i used to have an old electric type-writer (not sure where it is now!) that I would write our family newspaper on.

Um amigo meu vai lançar um livro em Agosto. Publicar um livro sempre foi um sonho para mim. Lembro de ter, sei lá, uns oito anos e que o filho de um colega de trabalho da minha mãe lançou um livro mais ou menos na mesma época. Eram dois livros infantis, com ilustrações feitas por ele mesmo. Eu achei incrível. Por mais que não tenha sido uma puta publicação e que ele não tenho tido reconhecimento, caramba, ele lançou dois livrinhos. Quem sabe o que ele não deve escrever hoje?

Pois é, depois de ter a notícia que esse amigo vai lançar um livro, fui perguntá-lo como foi o processo: escolher a editora, as correções, a capa (que ficou linda), etc. Ele disse que levou alguns “nãos” na cara, mas não desistiu e mandou para outra editora, que acabou aceitando o trabalho dele. Sabe, foi assim com J.K Rowling também. Muitas e muitas editoras rejeitaram o trabalho dela, dizendo que não faria sucesso algum. Ledo engano. O meu problema é não ter uma história (ainda), e também o fato de que não escrevo lá muito bem. Tenho uma escrita mediana, acho que compatível com a minha idade ou eu pelo menos espero isso. Fiquei pensando e pesquisei o óbvio no google: “como escrever um livro?”, e acabei achando alguns artigos bem interessantes, como esse, que te incentiva a se manter criativo, todos os dias. Comecei no mesmo instante e escrevi sobre um acontecimento real. Os outros textos que se seguiram, em sua maioria, também tratavam de acontecimentos reais (pelo menos em parte). Gostei da comicidade que a maioria apresentava. Engraçado que em algum desses artigos que vi por aí dizia para você aceitar: se você é escritor, você é estranho. Engraçado é que antes eu só escrevia ficção e fantasia; hoje em dia coloco algumas coisas reais nos textos, sabe? Pensamentos (muitas vezes os mais bestas).

Vou postar aqui os que eu mais gostei que escrevi na última semana.

Pensando alto

Estavam no carro, pai e filha, diante de um tráfico que só permitia a movimentação do carro alguns metros, às vezes. A filha ficava mais ou menos no meio, entre o banco de trás e o vão entre os dois bancos da frente, com o pai do lado esquerdo. 

                O moço, com seus vinte e nove ou trinta anos, no banco esquerdo da frente acabou murmurando um de seus problemas cotidianos. Talvez fosse o próprio engarrafamento, talvez fossem os problemas no trabalho, mas tanto fazia, por que a filha não escutara muito bem.
                – O que foi, pai?
                -Nada, minha filha. Só pensando alto.
A menina tinha as bochechas enormes e rosadas. Sentou atrás e ficou parada, em silêncio. Pensou em muitas e muitas coisas, como se estivesse gritando dentro da própria cabeça, até que finalmente pergunta:
                – Escutou, pai?

Cabelo, cabelo meu

Eram uns fiozinhos desajustados que não se ajeitavam em lugar algum. Já haviam sido lisos; uma parte, roxa… Já haviam sido longos e curtos. Eram, agora, meio alaranjados, e se sentiam bem assim. Às vezes acordavam de mau humor e não davam trégua com a dona, até que ela, no dia seguinte, acabava indo ao salão e dando um calmante para eles. Calmante de cabelo é diferente de calmante de gente. Calmante de cabelo se chama formol. E eles ficavam calminhos… Mas só durante um mês. Depois disso a personalidade forte do cabelo voltava. Os anéis ruivos voltavam à vida e dela não abriam mão. De uns tempos para cá, a dona dos cabelos se acostumou, e eles têm estado mais próximos, mais amigos.; aprenderam a conversar.
                Tanto que a dona agora nem dá mais calmante para eles.

No meu tempo…

– Mãe, não aguento mais estudar! – disse Joana, deitando a cabeça no livro de Gramática. A menina era inteligente, mas era desleixada. Não era uma das melhores alunas, mas também não era das piores, mas não suportava uma nota baixa! E a mãe responde:
                – Minha filha, não reclame, que na sua idade eu e seus tios íamos para a escola de barco e ainda andávamos mais uma hora na mata fechada, com mosquitos mutantes preparados para o ataque a qualquer hora. Naquela época não existia caderno, não! A gente escrevia em folha de bananeira com um palito chorando gordura de porco, e isso quando tinha. Quando não tinha a gente furava o braço dos coleguinhas e escrevia com sangue. Quando sobrava ainda guardávamos para os dias posteriores, e ai de quem não quisesse ter o braço furado!

E o de hoje:

Água maravilhosa

 Uma sede absurda ecoava dentro da garganta de Cláudio, que não via a hora de chegar em casa e poder beber um bom copo de água. Chegando lá, mal deixou a pasta no sofá e já se dirigia à cozinha da casa, com as mãos ansiosas, a procura de algo que cessasse sua sede. Colocou os olhos em cima de uma garrafa que estava na cozinha, tirou uns comprimidos do bolso, arranjou um copo, encheu-o, e tomou a danada da água. Sentiu um gosto estranho. Talvez o copo estivesse sujo de detergente. Foi perguntar à mulher o que diabo havia acontecido e por que os copos ali não eram bem lavados, quando ela diz:
                – Cláudio, deixe de ser doido, que isso daí é água sanitária!

 

Tenho melhorado com os títulos, hehe.

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Só algumas influências

No último post comentei o quanto eu gostava de Tarzan. Na verdade, ainda gosto. Pensando nisso, fui catar músicas e momentos da televisão que me marcaram na infância. Acho que muita coisa acaba sendo decidida nessa época, e os filmes, os programas de televisão influenciam demais a cabeça das crianças. É natural, ainda mais quando a TV é um meio de comunicação tão comum

Acho que Mulan foi um dos filmes mais fodásticos na Disney. Sério mesmo, a cena dela escalando e jogando a flecha pro comandante é demais, nossa.

 

Aaah, Hércules. Adorava, tanto o filme como o jogo pra video game do meu primo, haha. Adorava as “deusas” cantando. São as melhores cenas do filme.

 

Não achei o vídeo que eu queria, nem em inglês, como esse ): Super preferia a parte do super luper hiper liper pulo do Tigrão ): Segundo desenho favorito, haha.

 

NÃO poderia faltar. ADORAVA Castelo Rá Tim Bum

 

E por último, porém não menos importante:

 

Hehehe. E esse foi o post de hoje! Ah, e vocês podem acompanhar o blog pelo Facebook 😉

 

 

Sobre infância e filmes da Disney

Outro dia o professor de História nos mandou fazer um exercício e ficou passeando pela sala de aula, assoviando. Era realmente irritante, por que eu tentava me concentrar e aquele zunido agudo continuava insistindo no meu ouvido. Quando finalmente acabamos o exercício, percebi que era uma música que eu conhecia. “… não tenha medo pare de chorar/ Me dê a mão/ Venha cá…”.
Era Tarzan, meu desenho preferido de todos do universo da Disney.
O professor disse que aquela foi a musica que cantou no dia do casamento. Cara, se alguém cantasse essa música para mim num dia assim, eu ia acabar afogada nas minhas próprias lágrimas, hahaha. Segundo minha irmã, assisti ao filme mais de 15 vezes, mesmo sendo uma fita emprestada do meu primo (sim, nasci no tempo das fitas), até que minha mãe comprou uma fita só para mim e depois disso ela perdeu a conta, huehue.
Engraçado isso. Acho que nunca fui aquele tipo de criança que insistia em ser uma princesa ou que tinha como cor favorita o rosa. Segundo minha mãe, eu gostava de brincar correndo, pulando; não era muito de Barbie. Nem ligava tanto para as princesas, também. Eu curtia muito mais o Tarzan e o ursinho Pooh (que na época eu chamava de Puff). Acho que sempre fui meio assim, fora do comum. Não era proposital. E eu também não era uma criança lá muito popular. Cresci meio que sendo a “estranha”.
Gosto de ler desde que eu me lembro. Uma vez uma professora da alfabetização disse que se eu não lesse aquela página do livro do patinho eu ia ficar para trás. Todos os meus amigos aprenderiam a ler e eu ficaria ali, estancada. Resultado: enquanto meus amiguinhos liam as histórias de raposas, tartarugas e lebres, eu com os meus 9/10 anos lia um livro de 702 página do Harry Potter. Acho que eu nunca vou esquecer do número de páginas de A Ordem da Fênix, ou pelo menos vou lembrar para sempre como se ele tivesse 702 páginas. Parece prepotente, mas eu senti um orgulho imenso quando terminei de ler. Eu ainda lembrava daquela professora, que tinha me dito que eu não aprenderia e que ficaria para trás.
Acho que comecei a ler livros assim com A Turma dos Tigres (tive que procurar no limbo da minha cabeça).  Eram uns livrinhos que ficam com um cartão vermelho que decodificava umas imagens, que eram a pistas. Meu gosto por mistério talvez venha daí, haha. Achava bonitinho, mas eu era sempre apressada e passava o cartão logo, nem prestava tanta atenção às imagens, queria saber o que acontecia. Era gostoso de ler. Lembro que acertei uma pista uma vez, era uma em que, se eu não me engano, a bicicleta estava quebrada. A partir daí todo um mistério se desenrolava.

Mas acho que por hoje paramos por aqui. Eu criei uma nova tag, a “eu”. Talvez alguém tenha notado, mas provavelmente não, já que os visitantes daqui não são constantes. Nela eu vou escrever uma série de bobagens sobre coisas que vi, vivi, senti, gostei, desgostei e mais. Ah!, e a aqui a música que o professor assobiava.

Sobre alisamentos e o ruivo desbotado

Li esse texto maravilhoso da Lully e resolvi escrever sobre. Claro que não da mesma forma, mas queria compartilhar o que penso sobre a opinião dos outros acerca do meu cabelo.
Para começo de conversa, uma análise: meu cabelo é do tipo 3A, está acima dos ombros e depois do queixo e com um corte horrível, confesso. Na verdade, sem corte, por que faz tempo que não corto, por tentar deixar crescer. Quero deixá-lo crescer por que tenho cabelo curtinho já faz um ano e quero ver como ele fica grande, com todos os cuidados que tenho tido esse últimos tempos.
Mas acontece que eu adoro cabelo curto e vivo falando em cortar, e o menino que senta do meu lado vive dizendo que é para eu deixá-lo crescer. Concordo por que esse é meu objetivo e quero atingi-lo, mas não significa que não poderei cortar depois. Esse mesmo menino me pergunta por que eu não o aliso, e existe uma resposta simples, que pode até parecer grosseira, mas não é: por que eu quero.
Sim, ele pode estar assanhado na maioria dos dias; mas quando ele fica bonito, ele fica maravilhoso, cheio de cachinhos (acontece quando eu lavo).
Fiquei pensando sobre isso. Sobre as pessoas quererem sempre esse padrão de igualdade. Nunca vi um cabelo como o meu, no meu corte, com o meu volume, com o tom de ruivo desbotado. Gosto dele assim, por que quando vou ao banheiro e me olho no espelho ao lado de tantas meninas, ele nunca é igual ao de ninguém.
Mesmo assanhado. Mesmo com a parte lisa e engraçada por baixo.

O cabelo dos meus sonhos

E eu já recebi elogios: “ah, acho que ele combina contigo!”, “adoro teu cabelo”, e por aí vai.
E já recebi críticas também, claro. Só os lisos com modelagem não recebem.

Quero dizer que, se você se sente bem com os cabelos lisos, continue! Mas não o faça por que as pessoas dizem que ele é feio, faça por que você quer. Acontece que muita gente alisa por que fazem brincadeiras que a entristecem. Acho que o meu cabelo reflete quem eu sou, sabe? Se eu sou diferente, acho que tenho um cabelo diferente. Sabe, uma espécie de identidade. Ele é do jeito que eu quis, como eu. “Se fosse se outro jeito não seria tão eu”
Adoro ver pessoas com cabelos diferentes na rua. Coloridos, curtos, cacheados. Acaba sendo raro, muita gente tem o cabelo igual, e isso é uma pena. Acho que se a pessoa se sente bem, ok, mas ainda assim. É raro ser diferente. Somos feito à mão, e por isso cada um tem uma peculiaridade, mas as pessoas parecem quererem se moldar e se tornar mais um produto produzido em larga escala.
Adoro gente diferente, sonhadora, que pensa no que os outros não pensam.

Adoro cabelos curtos, mas não vou cortar. Não agora.
Também gosto de manter as unhas curtas, odeio quando elas ficam grandes, horríveis.
É só isso que eu queria falar, e acho que aqui vai acabar sendo um diário virtual mesmo, sem muitas notícias. Ou não, quem sabe, vivo mudando.